Na planície abissal, a pressões que podem atingir 600 atmosferas e temperaturas que não ultrapassam os 2 °C, uma colónia densa de penáculos-do-mar — pennatuláceos de hastes translúcidas e frondes delicadas — inclina-se em uníssono sobre um fundo de lama siliciosa cinzento-acastanhada, curvados por uma corrente de fundo quase imperceptível que arrasta flócos de matéria orgânica entre eles como fumo suspenso no tempo. Nódulos polimetálicos de manganésio pontuam a superfície sedimentar com o seu brilho metálico acastanhado, enquanto orifícios de tocas e moldes fecais revelam a acção invisível de poliquetas e holotúrias que revolvem continuamente os detritos que descem em chuva lenta desde a zona fótica, a vários quilómetros de altitude. Estrelas-do-mar frágeis repousam junto ao substrato e um crinoide pedunculado ergue-se mais atrás, ancorado a um ponto duro, estruturas que só existem porque a neve marinha — fragmentos de plâncton morto, exúvias, matéria fecal — chega aqui ao fim de semanas de queda. Na escuridão total, são apenas motes de bioluminescência em ciano e verde-pálido que intermitentemente iluminam as frondes dos penáculos e o flóco à deriva, faíscas vivas produzidas por microrganismos e invertebrados que transformam a química em luz sem qualquer outro recurso que não a própria biologia. Este mundo imenso, nivelado e silencioso existe em si mesmo, indiferente e completo, pulsando a um ritmo que antecede e excede qualquer presença exterior.
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