Através do espesso visor acrílico do submersível, a paisagem que se abre é de uma estranheza hipnótica: uma vasta nuvem de vida suspensa preenche o campo de visão de margem a margem, uma camada biológica densa e irregular de mictofídeos, krill e camarões compactados numa faixa escura de tom carvão-azulado, como uma tempestade petrificada no interior da coluna de água. A cerca de 350 metros de profundidade, a pressão ultrapassa as 35 atmosferas, e a única luz natural é um filete de azul cobalto moribundo descendo das camadas superiores, insuficiente para revelar cores mas suficiente para delinhar silhuetas prateadas e translúcidas contra a penumbra — esta é a chamada "falsa fundura", o mesmo fenómeno acústico que confundiu os sonares militares de meados do século XX, que interpretavam o retorno destas agregações como o próprio fundo oceânico. Os faróis do submersível, mantidos deliberadamente baixos e frios, iluminam por instantes alguns camarões próximos e uma névoa de neve marinha em suspensão, antes de se renderem à escuridão, enquanto no interior da camada biológica piscam fotóforos isolados — pontos de bioluminescência que recordam ao observador que toda aquela massa aparentemente inerte está, na realidade, viva, em repouso diurno, aguardando o crepúsculo para iniciar uma das maiores migrações verticais diárias do planeta.